"Somos do tamanho dos nossos sonhos" Fernando Pessoa

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sobre o homem

Um homem que consegue dizer quem é e descreve todos os conceitos que giram em torno de si, de maneira que outros homens compreendam e concordam, é um homem realizado. Pois consegue enxergar todos os seus defeitos e suas fraquezas, assumindo-os e encarando-os de forma a evoluir. Mas o que parece, é que sempre restará um defeito que se tens vergonha, e irá negá-lo até o fim, e sempre haverá aquela qualidade que não tem, mas por achá-la bonita, gostaria de tê-la e finge tê-la.

Portanto não podemos esperar que iremos conhecer algum homem por suas palavras, já que nelas sempre restará um pouco daquilo que ele gostaria de ser ou de mostrar, mas que a fundo, não é e não existe. Sempre restará uma falta da verdade.

Não devemos por isso desacreditar de todos, pois se um homem quer se mostrar bom, devemos considerar a sua boa fé e acreditar que dentro de si ele deseja ser bom.

Mas um homem não pode fazer-se passar por algo tão distante da verdade, ele estaria sendo falso e não mereceria perdão quando ao se desleixar mostrasse aquilo que é; e desleixar-se não é uma questão de falta de capacidade, mas de imperfeição e humanismo. Assim, se algum homem tenta se passar por bom, enquanto dentro de si ele não encara seu desejo de maldade, ele irá um dia se revelar e não haverá mãos que o segure. Não falo para mostrar seus defeitos ou errar com eles, falo para encará-los e mudá-los, assumindo quem é e o que é capaz.

Agora, se um homem bom mentes aquilo que é, pois conhece seus defeitos e envergonha-se deles e os esconde, este também não merece perdão, pois além de mentir ele conhece a verdade.

Como podemos então confiar em um homem que mente sobre suas verdades? Talvez, não seja uma questão de confiança, mas uma questão de cumplicidade. Se considerarmos que todos, absolutamente todos, somos capazes de tanto bem e tanto mal, não podemos julgar os atos alheios se a fundo somos capazes de cometê-los. Não podemos desprezar ninguém que tenha assumido uma parte daquilo que somos e nos aterroriza por nos demonstrar o que somos capazes.

No entanto, a partir do momento que conhecemos nossos piores pensamentos, nos tornamos responsáveis por nossas atitudes diante deles e culpados pela sua existência.

Se um homem conhecesse a si mesmo e conseguisse descrever-se diante aos outros, conheceria a mente de todos os homens, e isto o faria enlouquecer.

Um comentário: